Dia Zero

Este é um diário pessoal que criei com o objetivo de registrar a história de nossa gravidez.

"Uau, que ideia original!"

Talvez esteja, ironicamente e com toda razão, pensando você.

Quem mais tem paciência para acompanhar outro futuro papai ou outra futura mamãe compartilhando exames de ultra-som, histórias de desejos gastronômicos bizarros, dúvidas sobre a cor da decoração do quarto e todas essas coisinhas que envolvem uma gravidez? Ainda mais sabendo que toda  essa "vontade de registrar cada momentinho mágico" costuma acabar sendo engolida pela rotina ou pela preguiça e que não é raro que aqueles que se propõem a acompanhar sejam abandonados sem notícias até mesmo de se a criança nasceu ou não. 

Ninguém, não é mesmo?

Bem, não posso garantir que este diário será mais interessante que qualquer um outro semelhante que você já tenha conhecido, muito menos que sua sina será diferente de todos os outros que pararam no meio do caminho. Na verdade, não posso nem mesmo garantir que terei uma história de gravidez para contar.

"Ué, como assim?"

Explico:

Hoje, foram transferidos dois embriões para o útero de minha esposa. A etapa final de uma técnica de reprodução assistida conhecida como FIV (Fertilização in Vitro).

Os embriões são dois amontoadinhos microscópicos de células, também chamados de blastocistos, que se formaram e cresceram por cinco dias em laboratório, a partir da junção de espermatozóides meus com óvulos dela.

Tecnicamente, para se confirmar a gravidez de minha mulher, será necessário ainda que pelo menos um destes embriões consiga se fixar à parede do útero dela nos próximos doze dias. O que poderá ser (e tenho fé que será) confirmado através de um teste Beta HCG (teste de gravidez). 

Na minha concepção, no entanto, neste exato momento minha mulher carrega dois embriões VIVOS dentro dela, frutos da combinação de nossos códigos genéticos e isto, para mim, já é gravidez. É assim que prefiro enxergar.

Se você é um pouco mais entendido em reprodução assistida pode estar me achando ingênuo. Garanto que não sou. Conheço bem a fragilidade e delicadeza do momento. Minha visão vem do meu desejo e da minha fé de que tudo vai dar certo.

Então, sem medo, início este diário no DIA ZERO de nossa gravidez.

"Calma, que é muita informação para processar!"

Concordo e, por isso mesmo, vou ficando por aqui. Com a graça de Deus, teremos muitos dias pela frente para explicar direitinho os muitos outros dias que antecederam este dia zero.

"Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos."

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